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Crítica – O Beco do Pesadelo


Quando alguém diz o nome de Guillermo del Toro, naturalmente já exclamamos a palavra “monstros”!

O diretor, produtor, roteirista e autor mexicano de 57 anos de idade ficou merecidamente conhecido por ser um moderno criador de monstros no atual cinema. Os filmes das franquias Hellboy e Círculo de Fogo, além de alguns projetos mais prestigiados, como A Espinha do Diabo (2001), O Labirinto do Fauno (2006) e A Forma da Água (2017) não deixam mentir: Guillermo del Toro é um apaixonado por criaturas horrendamente bestiais!

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Desde o irrepreensível O Labirinto do Fauno, que discorre sobre fatos durante o verão de 1944, cinco anos após a Guerra Civil Espanhola, ainda no início do período da ditadura franquista, onde tínhamos uma garotinha chamada Ofelia entrelaçando mundo real e mítico sobre um labirinto abandonado e protegido por uma misteriosa figura, não tivemos um trabalho de Guillermo del Toro que conseguiu abordar tão bem sobre quem são os verdadeiros monstros em nossas vidas.

Ainda assim, vemos que o talentoso cineasta mexicano continua criando novos monstros no cinema. Mais recentemente, testemunhamos o apenas competente A Forma da Água levar o Leão de Ouro, maior prêmio do Festival Internacional de Cinema de Veneza, além de quatro estatuetas do Oscar, incluindo na categoria Melhor Filme.

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Agora, ganhamos mais uma nova história sobre monstros desenvolvida por Guillermo del Toro, só que dessa vez teremos apenas uma única espécie frente às câmeras: o homem.

Em O Beco do Pesadelo, que chega nas salas de cinema em todo o país, quando o carismático, mas azarado Stanton Carlisle (Bradley Cooper) se aproxima da clarividente Zeena (Toni Collette) e seu ex-marido mentalista Pete (David Strathairn) em um carnaval itinerante, cria um bilhete dourado para o sucesso. Usando desse conhecimento recém-adquirido pelo par de artistas circenses, começa a enganar membros da elite rica da sociedade novaiorquina nos anos 1940. Auxiliado pela ardilosa Molly (Rooney Mara), sempre leal ao seu lado, Stanton planeja enganar um perigoso magnata (Richard Jenkins) com a ajuda de uma misteriosa psiquiatra (Cate Blanchett), que pode ter sido sua melhor e mais formidável parceira em toda sua carreira como farsante dos palcos.

Temos uma ala recente, composta tanto por críticos especializados quanto pelo público geral, que vêm reclamando da extensa duração de algumas obras cinematográficas. Alguns argumentam mais superficialmente certa impaciência para filmes mais longos, enquanto a outra parte tenta se aprofundar nos problemas encontrados em narrativas um pouco mais estendidas que já apresentam algumas complicações desde muito cedo na história.

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A segunda opção está muito bem representada pelo thriller psicológico O Beco do Pesadelo, que logo na primeira cena acaba expondo algo que ficará guardado na mente do espectador até a cena final. Tal momento já deixou claro que nosso protagonista interpretado pelo galã Bradley Cooper tinha um belo de um esqueleto no armário.

Apesar das intenções transparentes imprimidas por Guillermo del Toro, ficou muito prático perceber que pelo roteiro escrito por ele, junto de Kim Morgan (também sua parceira conjugal), testemunharemos uma falsa construção de monstro, uma vez que faltou um tanto de sensibilidade por parte do diretor em como apresentar a figura principal da trama, assim como suas ambições e artimanhas. Faltou um mínimo de contraste narrativo para que nós como espectadores pudéssemos aproveitar uma área cinzenta que se mostrava mais do que essencial em uma produção que se arrisca no território do neo-noir.

Dos 150 minutos de O Beco do Pesadelo, podem arredondar que por pelos menos duas horas completas, assistiremos algo visualmente muito chamativo, mas com raras exceções de uma narrativa minimamente equilibrada. As cenas entre Bradley Cooper e Cate Blachett (assombrosa!) em um estilizado consultório revelaram o ápice nesta obra do cineasta mexicano, que foi capaz de mensurar texto, performances e fotografia de modo distinto; o uso da iluminação quente e fria pela face do protagonista, executada pelo cinematógrafo Dan Laustsen, simbolizou lindamente aquele que foi o único momento onde Guillermo del Toro trabalhou mais com a dualidade do que pela exposição.

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Pela primeira vez neste século, temos uma obra do ganhador do Oscar que não envolve qualquer aparição de criaturas ferozes ou espectros do sobrenatural. Deve-se dizer que isso acabou fazendo muita falta em O Beco do Pesadelo, que simplesmente converge toda a maldade existente na figura humana, sem qualquer traço de contraste iluminado aparente. Poderia ser a personagem interpretada por Rooney Mara, mas faltou força para isso!

No fim, sobram alguns breves lampejos inspirados pela produção de arte e fotografia, que trabalham uma narrativa que tem o intuito de manifestar os perigos do vício em álcool, que costumam acarretar situações horrorosas onde observamos desamparados aqueles que tanto amamos transformando-se em animais selvagens. Sem amor próprio ou autonomia.

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